21.7.06

Fadas do Lar

Reencontrar os Pixies é como reencontrar velhos amigos que há muito não víamos, com a negligenciável diferença de que não os conheço de lado nenhum e posso afirmar com segurança que nunca os tinha visto mais gordos. Literalmente. Até porque se vier a ver o Frank Black e a Kim Deal ainda mais gordos do que agora, eles já terão provavelmente sido catalogados como uma nova espécie de cetáceos. Se há dois anos, no Super Bock Super Rock, o sortilégio da longa ausência ainda permitiu a entrega total de um público que tinha muita conversa em atraso para pôr em dia, começa agora a ser inegável o desconforto que provoca constatarmos que estes nossos amigos continuam, entretanto, a não ter nada de novo para nos dizer. Não que seja intrinsecamente mau reviver anos e sons que são intemporais, mas a persistência neste objectivo único de vencer pela fórmula segura, comprovada e recomprovada, exala um certo odor bafiento que já só em raras ocasiões estimula o suficiente para me fazer levantar o traseiro da confortável cadeirinha de plástico do Atlântico para entrar em verdadeira comunhão musical. A amigos assim agradecemos os bons velhos tempos, consagrando-os em memória auditiva auxiliada por vetustos cds e espevitados iPods, desejamos-lhes sorte, saúde e Herbalife, e deles nos despedimos em demanda de outras experiências… talvez dos She Wants Revenge e dos The Strokes no Lisboa Soundz, já amanhã.